Archive for the ‘cinema’ Category

Do amor

Amour, de Michael Haneke, está sendo exibido num único cinema por aqui. Um dos “alternativos,” que leva o sugestivo nome de “Chez Artiste.”

O amor. O que é? O amor é a personagem de Emmanuelle Riva repetindo “mal… mal… mal…” – é a personagem de Jean-Louis Trintignant num determinado momento esbofeteando-a – são os sonhos e os pesadelos – a xícara de chá oferecida quando a realidade fica excessivamente brutal (mas tão “normal,” e ainda mais brutal por isso: afinal, que outra certeza temos da vida se não a morte?) – as refeições compartilhadas e as refeições não compartilhadas – o modo como cada um faz o possível. O possível. O amor é imperfeito, limitado, confuso e belo. O amor é o amor possível.

Amour é um filme lindo e terrível, e sumamente necessário, na minha opinião.

A primeira coisa que ouvi ao sair do cinema foi a conversa do casal à minha frente. A mulher olhou para o homem e sorriu. “I know you hated it,” ela disse (“sei que você detestou”).

Eu e Paulo tínhamos conosco uma caixa de chocolates quase intacta (e meio derretida). E um silêncio foi conosco no carro, até em casa, em meio à nossa conversa. Havia uma imensa lua cheia sobre a cidade e luzes dos prédios diante de nós, e a vida, a vida em toda parte.

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Another Earth, de Mike Cahill, vencedor do último festival de Sundance. Entrou, certamente, para o rol daqueles filmes que vou querer rever muitas vezes, e que a cada vez que rever vão deslocar um parafuso qualquer aqui dentro, agitar as coisas, fazer com que eu me pergunte se aquilo que penso que sei é mesmo aquilo que sei (e aquilo que quero saber), se aquilo que penso que prezo é mesmo aquilo que prezo.

E isso é bom, não?

Saí do cinema querendo fazer silêncio por 534 anos.

E isso é bom, não?

O resumo é do Cinerama: No filme, escrito por Mike Cahill e Brit Marling, a descoberta de um novo planeta no espaço, aparentemente escondido atrás do sol até então, espanta a população. Rhoda Williams (Marling) é uma estudante de astrofísica do MIT que também se encanta com o novo astro. Dirigindo durante uma noite, enquanto admirava o planeta azul, ela bate seu carro em uma van e mata a família de um célebre compositor, John Burroughs (William Mapother), que entra em coma. Nos anos em que Rhoda fica presa, astrônomos descobrem que o tal planeta é uma segunda Terra – e pessoas daqui conseguem se comunicar com essa Terra-2 de realidade paralela.

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O meu filme do ano

Beginners, de Mike Mills. Já foi pro rol dos preferidos de todos os tempos.

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Biutiful + Tree of Life

Ver a obra prima Biutiful, de Alejandro Gonzalez Iñárritu, foi um bem vindo antídoto ao sublime exagerado e às vezes cansativo de The Tree of Life, de Terrence Malick, que tínhamos visto na véspera e que foi o vencedor da Palma de Ouro em Cannes, em maio deste ano. O filme de Malick às vezes me pareceu puro malabarismo estético, cenas de tirar o fôlego pela beleza, uma após a outra, do início ao fim (e o espírito de Deus pairando sobre a face das águas). É um filme muito bonito – talvez bonito demais. Biutiful, que não leva esse título à toa e também é muito bonito, tem contudo gratas imperfeições, é um filme que transborda humanidade onde The Tree of Life transborda reverência mística (“the way of grace”).

Não são, provavelmente, comparáveis. A comparação vem apenas de tê-los visto em dois dias consecutivos.

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Herzog

Fomos ontem ver o novo documentário de Werner Herzog, Cave of Forgotten Dreams. Para começo de conversa, o documentário tem algo de serviço humanitário, pois além de um pequeno grupo de especialistas ninguém mais tem acesso à caverna de Chauvet, no sul da França – onde foram encontradas as mais antigas pinturas rupestres da história da humanidade. Elas datam de quase 40 mil anos atrás, e são mais de 400 representações de animais.

Herzog teve uma licença especial do Ministério da Cultura francês para rodar o documentário no interior da caverna, e mesmo assim suas horas de filmagem foram restritas, bem como sua locomoção (e de sua reduzidíssima equipe) lá dentro.

Por muitos motivos o filme é imperdível. Herzog é Herzog, e é preciso reverenciar também a música original de Ernst Reijseger para este documentário. Criadores embebidos na cultura do século XXI (e críticos da vida do século XXI, também) ajoelhando-se, num misto de reverência e estupefação e incompreensão, diante da arte magnífica de um grupo humano que não têm (temos) a menor condição de compreender.

Em alguns lugares da caverna, a mineralização ocorrida ao longo dos milênios transformou crânios de ursos em objetos reluzentes de pedra. Em outro, a representação de um corpo feminino se confunde à de um bisão, lembrando que no nosso passado as fronteiras eram elásticas, o trânsito entre a condição de seres humanos, animais, plantas e espíritos era natural e comum.

Por que foi que perdemos a nossa capacidade de espanto e nos tornamos tão miseravelmente presos ao que é materialmente palpável, apenas? Onde é que foi parar o nosso espírito? Não falo do cabresto das religiões, falo do espírito. Do convívio com o que é invisível, da porosidade da existência.

Uma única crítica: entendo a opção pelo 3D (a que Herzog até então era avesso) como uma forma de tornar a caverna mais real ao espectador, e parte desse “serviço social” que o filme presta. Em certos momentos, porém, incomoda muito. Sobretudo nos trechos de entrevistas – onde é inteiramente desnecessário.

Meus Herzogs:
Encounters at the End of the World

Fata Morgana (“Der Blitzkrieg ist Wahnsinn!”)

Grizzly Man

Faltou encontrar um trailer de Lessons of Darkness.

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Jarmusch, Waits

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Once

Sabe aqueles livros ou filmes ou músicas (ou o que for) que deixam a gente com uma inveja boa, com aquele “eu queria ter escrito/dirigido/composto isso” – ou um reles “eu queria ter participado disso, ainda que como revisor ou contra-regra”?

Foi essa a sensação depois de ver, com cinco anos de atraso, o filme irlandês Once, musical (e eu detesto musicais!) escrito e dirigido por John Carney. Feito com um baixíssimo orçamento, com Glen Hansard (da banda de rock irlandesa The Frames) e Markéta Irglová, que compuseram as músicas do filme – e ganharam um Oscar pelos esforços. Once levou também prêmios como o Independent Spirit Award de melhor filme estrangeiro.

Um pouquinho aqui.

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Today we have our awesome monthly vegan potluck dinner in Boulder. From our community of 456 Boulder and Beyond Vegan Meetup Group members, 83 are going – and there’s a wait list!

We will be joined this evening by author Marc Bekoff (former Professor of Ecology and Evolutionary Biology at the University of Colorado, Boulder, a Fellow of the Animal Behavior Society and a past Guggenheim Fellow) and filmmaker Louie Psihoyos (The Cove, which won an Oscar in 2010 for Best Documentary Feature).

From Lisa Shapiro, our veganizer: “Louie is a very highly respected leader in the community he walks/works in and his embracing veganism can only be an amazing win for the billions of animals that need our help. Perhaps the passion and fervor he had to make The Cove, and call world wide attention to the 300 dolphins ruthlessly slaughtered in Japan, will transfer over to the 60 billion animals that are mercilessly treated and slaughtered every year.”

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