Archive for the ‘Hanói’ Category

Nina

Na esteira da revisão do novo livro, em que ela está:

 

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Pronto

Dizer que tenho um novo livro pronto é sempre temerário, porque livro pronto não existe.

Mas até onde dá para afirmar isso sem dar um tiro no próprio pé, terminei na semana passada a escrita do meu novo romance, Hanói.

Agora ando escrevendo poesia como se ninguém estivesse lendo (e quase ninguém está). E reabrindo o diretório das traduções para uma – trabalhosa – exceção de alguns meses com Stefan Zweig. Minha primeira incursão no idioma alemão.

Hanói, a cidade, é um labirinto de memórias para mim. E não sei se algum dia fará sentido.

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Ele não tinha ideia nem mesmo de como começar a procurar, então digitou no laptop passagens aéreas. Podia ir por Seul, com a Asiana Airlines. Por Hong Kong, com a Cathay Pacific. Por São Francisco e Taipei, com a American Airlines e a EVA Air. Por Tóquio, com a ANA e a Vietnam Airlines.

O mundo era tão vasto. Tão incrivelmente vasto. Parecia mentira que se pudesse subir num avião em Chicago, descer na Coréia, embarcar uma segunda vez e chegar ao Vietnã. Quase desrespeitoso, não? Fazer pouco das distâncias desse jeito. Sobrevoar oceanos e cadeias de montanhas. Desembarcar em lugares onde era noite quando no seu ponto de partida era dia. Em lugares onde era amanhã ou ontem. O mundo era tão vasto.

Ele ainda podia ir mais longe. Continuar a pé, por exemplo, de Hanói até Jaipur. Quanto tempo levaria?

O Google Maps levou a pergunta a sério, com sua inocência de sempre, e lhe informou que levaria 1056 horas. Descreveu em 532 etapas cada passo. Situava a partida no distrito de Hoan Kiem, em Hanói. E continuava, bem intencionado: siga na direção de Hàng Quạt, na Cửa Hàng Ngọc Lâm sudoeste. Passe pela VanArtGallery (à direita em 65 metros). Vire à esquerda na Hàng Gai. Continue seguindo pela Cầu Gỗ. Passe pelo hotel Mai Dza. Vire à direita na Hàng Dầu. E assim continuava, levando o caminhante em certo momento a bordo de um ferry boat, depois conduzindo-o através da barriga do Vietnã e através do Laos, da Tailândia e de Myanmar, até entrar na Índia pelo nordeste.

David pensou no canadense que tinha completado a volta ao mundo a pé não fazia muito tempo. O ex-vendedor de luzes de neon Jean Béliveau. Saiu de casa, em Montreal, em agosto de 2000. Percorreu 64 países e voltou onze anos mais tarde. Jean Béliveau tinha embarcado em aviões e navios quando não havia outro jeito – para ir de São Paulo à Cidade do Cabo, por exemplo.

Agora parecia a David fantástico poder imitar sua aventura. Tendo tempo a perder (de vista), por que não percorrer o mundo a pé em vinte, em trinta anos? Atravessaria mais países. Ficaria mais tempo em cada um deles. Aprenderia línguas. Arranjaria os trabalhos mais simples que houvesse para bancar sua subsistência. Tocaria com músicos do Paquistão, da Rússia, da Argentina. Seria uma pessoa mínima e sem chão, uma pessoa em trânsito. Quando quisessem saber dele, já teria ido embora. Seu rosto ficaria queimado de sol, às vezes de frio, e as rugas ao redor dos seus olhos fariam com que parecesse mais velho e mais sábio do que de fato era.

Levaria Alex e Bruno com ele. Bruno aprenderia sobre o mundo in loco: no mundo. Não na Internet. Não na sala de aula. Não em livros. Nem mesmo em passeios turísticos, na segurança de um hotel, na previsibilidade fotogênica de férias bem planejadas. Jogaria beisebol com monges budistas no Nepal. Em algum momento cairia de amores por alguém, talvez na Colômbia ou em Cabo Verde. Veria a coisa toda como ela era de fato: multicolorida, multifacetada, frequentemente absurda, às vezes violenta, não raro plácida como um lago um segundo antes de você atirar nele a pedra. Expectante, o mundo. Vibrante. Cansado. Exausto. Doente.

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Meu novo romance, Hanói, vem sendo talvez o mais difícil de escrever e ao mesmo tempo o que mais prazer tem me dado. O prazer vem, basicamente, do convívio com um personagem trompetista, que tem me levado por viagens musicais incríveis. Graças a ele, Hanói tem uma primeira playlist já pronta, e uma segunda em construção.

Não por acaso, depois de duas décadas um violão volta a fazer parte da minha vida. Comprei um Takamine, e se ainda não dá para tocar “Mood for a Day,” do Steve Howe, que tocava na adolescência, venho desenferrujando com algumas coisas mais simples. E com uma alegria imensa. Temos agora um trio dentro de casa: violão, piano e baixo acústico. Resta só o Gabriel achar que não é creepy tocar com a mãe dele.

 

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