Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Hanói + Sinfonia

As notícias do início do ano.

Hanói, meu novo romance, a que ando com certa dificuldade de dar autonomia, deve ser publicado no início do segundo semestre. Se eu conseguir bater o martelo!

Sinfonia em branco, que a Alfaguara, minha nova casa editorial no Brasil, vai relançar – a partir de 2014, relança meus outros romances também – sai igualmente no segundo semestre, em edição corrigida e com um prefácio muito especial: de Pilar del Río, a viúva de José Saramago e presidente da fundação que leva o nome dele. Em 2013, completam-se dez anos que Sinfonia recebeu o Prêmio Saramago.

Fora isso, alegra-me a possibilidade de uma tradução ao árabe de Azul-corvo, e alegram-me os lançamentos do livro este ano na Itália (La Nuova Frontiera) e França (Métailié), e de Sinfonia na Alemanha (Aufbau).

Tudo é devagarinho para quem escreve ficção em português. Mas por isso mesmo cada passo é uma festa.

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Ano Novo

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Catorze anos

Você se lembra desse lugar

como se fosse ontem. O pesadelo desse lugar.

Seu corpo encolhido no próprio excesso,

brotando inábil dos seus pés

como um pinheiro num penhasco:

a última coisa verde admitida pela

altitude, pelo frio, pela rarefação do ar.

Seiva estranha à pedra – o que

deu na semente para tomar este rumo? O que

deu nela para nascer justo aqui, neste

ermo sem jardineiros nem alcalóides?

Neste inferno sem topiária?

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maçãs caídas

Hoje pela manhã nos demos conta de que a vizinha, uma senhora republicana quase surda que vive sozinha, que tem um filho no congresso pelo GOP e um adesivo de “NOBAMA” no carro, pega todas as maçãs que caem do único galho da nossa macieira que se aventurou por seu espaço aéreo (em geral meio comidas por insetos, pássaros ou esquilos) e enfileira diante do nosso portão.

Pensei: seria uma boa história para o blog.

Daí me lembrei que já não tinha mais um blog. Então fui lá (vim aqui) espiar os caquis caídos com as maçãs caídas nas ideias, e vi a data do último post: 28/1. E vi a data de hoje: 21/8. Mesmo não crendo en brujas é uma simpática coincidência.

Livre de lesões por esforço repetitivo (viva!), com o trabalho de tradução no passado (dezembro 2000 – RIP janeiro 2012) e sendo de todo modo digressiva desde que me entendo por gente, resolvi botar o blog para arejar, abrir as portas e as janelas por mais algum tempo, quem sabe.

Será que blogs são mortos-vivos? Será que são um espaço defunto, porque até eles ficaram grandes e prolixos demais? Como sempre fui grande admiradora das coisas inúteis (com Paulo Leminski: os “inutensílios”), volto ao meu pequeno espaço que não tem a menor importância.

E quanto à vizinha: a “delicadeza de Adriana Lisboa” foi lá e arrancou todas as maçãs do galho que paira sobre a propriedade da boa senhora republicana. Espero que ela note.

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I said to the wanting-creature inside me:
What is this river you want to cross?
There are no travelers on the river-road, and no road.
Do you see anyone moving about on that bank, or nesting?

There is no river at all, and no boat, and no boatman.
There is no tow rope either, and no one to pull it.
There is no ground, no sky, no time, no bank, no ford!

And there is no body, and no mind!
Do you believe there is some place that will make the
soul less thirsty?
In that great absence you will find nothing.

Be strong then, and enter into your own body;
there you have a solid place for your feet.
Think about it carefully!
Don’t go off somewhere else!

Kabir says this: just throw away all thoughts of
imaginary things,
and stand firm in that which you are.

(tradução para o inglês de Robert Bly)

——

Minha versão para o português:

Eu disse, à criatura sedenta dentro de mim,
que rio é esse que desejas atravessar?
Não há viajantes na estrada que leva ao rio, e não há estrada.
Vês alguém caminhando junto à margem, ou se abrigando ali?

Não há rio algum, nem barco, nem barqueiro.
Não há corda atada ao barco, nem alguém para puxá-la.
Não há chão, céu, tempo, banco de areia ou vau!

E não há corpo, nem mente!
Acreditas que existe algum lugar capaz de aplacar
a sede da alma?
Nessa grande ausência, nada encontrarás.

Sê forte, então, e penetra teu próprio corpo;
ali tens um lugar sólido para os teus pés.
Pensa nisso com cuidado!
Não te desvies noutra direção!

Kabir diz isto: apenas te desfaz de todo pensamento sobre
coisas imaginárias,
e te mantém firme sobre aquilo que és.

—–

O poeta místico Kabir viveu na Índia de 1440 a 1518.

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The Iraq War Disaster

by Raed Jarrar

Millions of Iraqis are celebrating the U.S. withdrawal this month, in what is widely viewed as a condemnation of the U.S. military involvement in Iraq. This is especially true with the final attempt by the U.S. government to maintain troops under NATO being rejected by the Iraqis. While President Obama, Defense Secretary Leon Panetta, and other U.S. officials are trying their best to make the U.S. involvement in Iraq sound like a success, the vast majority of Iraqis see the 20 years of war with the U.S. as a major disaster that has destroyed their country.

There is no victory and no victors in the 20-year war. Except for a few war profiteers, everyone has lost. The U.S.-Iraqi war that started in 1990 has destroyed Iraq’s infrastructure and damaged the Iraqi social fabric. Iraq is far from having a functional democratic government. It is the fourth most corrupt country in the world according to Transparency International, and Baghdad is the worst city in the world according to Mercer’s 2011 Quality of Living rankings. One million Iraqis have been killed in the last eight years alone, and another 5 million displaced. Millions of others have been injured and traumatized for life. Tens of thousands of U.S. troops have been killed and wounded, and hundreds of thousands are back home with mental injuries. Iraq and the U.S. lost hundreds of billions of dollars because of the conflict.

While ending the U.S. military occupation is a step in the right direction, the U.S. will continue its intervention in Iraq through 16,000 State Department personnel — half of whom are armed mercenaries. Downsizing the U.S. State Department’s mission in Iraq is very important to insure a balanced bilateral relationships is built on mutual respect. There is no reason for the United States to have a larger mission in Iraq than the Iraqi diplomatic mission in the U.S., which is estimated to consist of a few dozen employees.

Today’s withdrawal is great news for the millions of Iraqis and Americans who have opposed this war all along. But ending the occupation does not end the U.S. moral and legal obligations to compensate Iraq and Iraqis for the crimes and mistakes committed in the last two decades. In addition, holding U.S. officials who caused this mess legally accountable will help achieve U.S.-Iraqi reconciliation, and it will send a strong message to future U.S. politicians that they will be held accountable.

© 2011 Raed Jarrar

Raed Jarrar is an Iraqi-born political analyst, and a Senior Fellow with Peace Action based in Washington, DC.

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O desastre da Guerra do Iraque

artigo de Raed Jarrar

Milhões de iraquianos estão comemorando a retirada dos EUA este mês, no que é amplamente visto como uma condenação do envolvimento militar dos EUA no Iraque. Isto é especialmente verdadeiro ante a rejeição dos iraquianos à tentativa final do governo dos EUA de manter as tropas da OTAN. Enquanto o Presidente Obama, o Secretário de Defesa Leon Panetta e outras autoridades dos EUA estão fazendo o possível para tornar o envolvimento dos EUA no Iraque parecer um sucesso, a grande maioria dos iraquianos vê os vinte anos de guerra com os EUA como um imenso desastre, que destruiu seu país.

Não há vitória e não há vitoriosos nessa guerra de vinte anos. Exceto por uns poucos que lucram com a guerra, todo mundo perdeu. A guerra EUA-Iraque, que começou em 1990, destruiu a infraestrutura do Iraque e danificou o tecido social iraquiano. O Iraque está longe de ter um governo democrático funcional. É o quarto país mais corrupto do mundo segundo a Transparency International, e Bagdá é a pior cidade do mundo, de acordo com o ranking de qualidade de vida da Mercer em 2011. Um milhão de iraquianos foram mortos apenas nos últimos oito anos, e mais cinco milhões foram deslocados. Milhões mais foram feridos e traumatizados para o resto da vida. Dezenas de milhares de soldados dos EUA foram mortos e feridos, e centenas de milhares voltaram para casa com danos mentais. O Iraque e os EUA perderam centenas de bilhões de dólares por causa do conflito.

Ainda que o fim da ocupação militar dos EUA seja um passo na direção certa, os EUA vão continuar sua intervenção no Iraque através de 16 mil funcionários do Departamento de Estado – metade dos quais são mercenários armados. Diminuir o tamanho da missão do Departamento de Estado dos EUA no Iraque é muito importante para assegurar que um relacionamento equilibrado bilateral seja construído, com base no respeito mútuo. Não há nenhuma razão para os Estados Unidos terem uma missão no Iraque maior do que a missão diplomática do Iraque os EUA, que se estima consistir de algumas dezenas de funcionários.

A retirada de hoje é uma grande notícia para os milhões de iraquianos e americanos que se opuseram a esta guerra desde o início. Mas o fim da ocupação não encerra as obrigações morais e legais dos EUA de compensar o Iraque e os iraquianos pelos crimes e erros cometidos nas duas últimas décadas. Além disso, responsabilizar legalmente os funcionários dos EUA que causaram essa bagunça ajudará a alcançar a reconciliação entre EUA e Iraque, e enviará uma importante mensagem para os futuros políticos dos EUA de que eles também serão responsabilizados.

© 2011 Raed Jarrar

Raed Jarrar é um analista político nascido no Iraque, e um Senior Fellow na Peace Action, em Washington, DC.

Artigo publicado pela Common Dreams – http://www.commondreams.org

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